28/10/2012

DAS QUEDAS... #1

Acho que seria uma questão de tempo, esta minha queda.
Aqui sentada, com as lágrimas sempre prontas a manchar-me o rosto, de nó na garganta e peito apertado, chego à conclusão que era uma questão de tempo, esta minha queda.
Aqui sentada, retrocedo vinte anos e tento recordar-me se chorei a perda da minha mãe, amiga e pilar da vida. E não me recordo de o ter feito... Pergunto-me se o fiz, em qualquer altura destes últimos vinte anos. Chego à conclusão que não. Que não a chorei. E do que me relembro é de que me ri... ri muito, durante a noite que antecedeu a despedida definitiva deste mundo físico.
No dia seguinte acordei e retomei a minha, com dezassete anos.
Recomecei?
Olhando agora para trás, não recomecei nada...
Se até ali tinha sido sempre eu e ela, passei a ser eu e ele: o meu pai, ausente na maior parte da minha vida. E a partir daí, com dezassete anos, assumi o comando da casa. Era forte e tinha sido bem preparada a todos os níveis para isso. E a partir daí tenho comandado tudo, porque continuei a ser forte e havia quem de mim precisasse.
E não a chorei.
Nunca.
Aqui sentada, realizo que era uma questão de tempo, esta minha queda.



1 comentário:

Uma Rapariga Simples disse...

Não é uma queda, é mais um passo no luto. Ainda bem que chegou, quer dizer que te estás a mover.

Um beijinho para ti